
O modo como se foi consolidando a Educação Especial, foi encarada com estranheza por parte dos poderes públicos. Em Portugal, as soluções tardavam e mesmo quando surgiram estavam ligadas às teorias da degenerescência e a algumas correntes da psiquiatria que enfatizavam a segregação.
Neste contexto ganharam consistência as classes especiais e os centros de educação especial, baseados numa concepção sectorial (verbalizadas em 1934, por Eusébio Tamagnini, Ministro da Instrução, dividindo a população escolar portuguesa em cinco grupos: ineducáveis, normais estúpidos, com inteligência média, com inteligência superior e notáveis) (Afonso & Afonso, 2005).
Por volta dos anos 50-60 do século XX, começam a ganhar consistência as críticas oriundas de sectores da Pedagogia e da Psicologia que, na continuidade dos desenvolvimentos da Psicologia da Criança e de algumas intuições de Sigmund Freud, vieram colocar em causa a lógica do internato e das classes especiais, enfatizando que os espaços fechados são potencialmente restritivos para a aprendizagem e que, também, esta não se consegue plenamente quando não há contactos com o exterior.
Entre os anos 60 e 80 é consagrado, pela Europa, em lei, o princípio da Integração – o direito de todas as crianças frequentarem uma escola normal, beneficiando-se de todas as modificações organizacionais e curriculares que a sua deficiência exige (Ibidem). Deste modo, constatou-se a partir dos anos 90 uma grande evolução da Educação Especial com as sucessivas reformas que foram ocorrendo, surgindo o Decreto-lei 319 que regulava o apoio a alunos com Necessidades Educativas Especial, sendo substituído pelo actual Decreto-Lei n.º 3/2008 de 7 de Janeiro.
Todavia, constato com base na minha prática profissional que uma grande parte da comunidade continua a ignorar a educação especial, desconhecendo as suas funções e as suas práticas, levando-me a concluir que apesar de toda a revolução educacional sofrida ao longo dos anos, ainda existe por parte de alguns membros da nossa comunidade, um pensamento que relembra a concepção sectorial e preconceituosa de Eusébio Tamagnini...